cultura
Santos, 17.05 - .24.05 de 1997

Agenda Cultural

Exposição visa a restauração do Teatro Coliseu

Por Márcia Medeiros

Está reconstituída no saguão do Paço Municipal a exposição "O Coliseu é Santista". O evento está sendo organizado pela Secretaria de Cultura, com o objetivo de resgatar a história do Teatro Coliseu de Santos, contando através de painéis fotográficos a história do teatro. Um conjunto de plantas mostra também de que forma o Coliseu foi encontrado e como ficará após a execução do projeto de restauração a que está sendo submetido.

O prefeito de Santos, Beto Mansur, juntamente com a Secretaria de Obras, estão se encarregando da reforma do prédio, que foi julgado quase perdido. Segundo o empresário, Josué dos Santos Silva, há mais ou menos dez anos o dono de uma construtora cogitou a idéia de construir um shopping center no terreno do Coliseu, mas os planos não foram levados adiante.

Inaugurado em 23 de julho de 1909, sob o comando de Francisco Serrador, tornou-se palco de inúmeras manifestações culturais e políticas. Foi reinaugurado em 21 de junho de 1924, quando ganhou a forma atual através do trabalho de Manuel Fins Freixo, entusiasta das artes. O teatro foi tombado em 1989, e em 1992 foi declarado como de utilidade pública.

Na exposição pode ser vista uma maquete feita pelo arquiteto da Prefeitura, Agnaldo Secco; além de cinco vitrines, duas com documentos históricos (convites de espetáculos, cartas, cartões e outros) e três com materiais da construção original. Há também um folder com a história do Teatro Coliseu Santista, escrita pela secretária de Cultura, Wilma Terezinha Fernandes de Andrade, e uma lista de artistas famosos que se apresentaram no teatro.

O saguão do Paço Municipal fica na Praça Mauá, s/nº , centro e a mostra está aberta ao público entre os dias 6 e 19 de maio


Os Tecno-rebeldes

por Beatriz Rota Rossi

Ao que parece, a nova atitude Tecno não elimina a volta dos cinqüentões do rock.

A Inglaterra, mais uma vez, vem remodelar com sua produção musical, o gosto jovem. Nesta primeira metade dos anos 90 o que se via era uma falta de definição no que concerne à música popular. O rap trouxe a volta da palavra (da poesia) à Música popular e o saudamos com entusiasmo. Mas, em tempos de Internet e Globalização, o idioma se converte numa armadura para a fácil e rápida comunicação. A Tecno se propaga com extrema rapidez por esta e outras razões.

Campo esgotado com que começa este fim de século, a rapidez de comunicação, a fronteira do idioma, as tribos urbanas, a busca do transe hipnótico como fuga e prazer são patamares ótimos onde descansará ( ou enlouquecerá) a Tecno Music.

Já o nome o indica, ela não existiria sem a tecnologia do som. O cymaphone, o primeiro instrumento musical criado nos Estados Unidos é seu orgulho tetra-avô. Sem ele não haveria DJ, não haveria Tecno.

E aqui, interrompo a idéia inicial desta matéria: falar sobre retrôs e companhia para passear pela árvore genealógica da "tecnologia do transe".

Começamos pelos bisavôs italianos que , em 1911, no Manifesto Futurista , exigem a integração da máquina e eletricidade ao poema moderno: a arte do barulho. Em 1935, um parente próximo, alemão, cria o primeiro gravador de fita magnética.

Cinco anos mais tarde a família cresce, músicos negros dos Estados Unidos eletrificam o blue e dez anos depois Elvis Presley e outros jovens avôs da Tecno criam o rock que, com menos ou mais beats, fazem a nossa cabeça. A música concreta elitista e pesquisadora estoura com Sinfonia para um Homem Só, de Pierre Henri e Schaeffer. A partir dela, os concretistas dedicaram-se a experiências eletroacústicas ( ver Stockbrausem e o Festival Música Nova com sede em Santos e nosso compositor Gilberto Mendes ). Em 64 é comercializado o primeiro sintetizador, o Moog. Entre 70 e 75 os nova-iorquinos aprendem dos jamaicanos o scrotch, arte de DJs construída através de discos, mixando trechos de músicas. A bateria sai do anonimato.

Até que finalmente nossos irmãos mais velhos dos 80, os DJs de Chicago, com samplers e mini computadores já no mercado, inventam a house music primas da disc-music.

Hoje, os tecnos-rebeldes ingleses ("ou controlava a tecnologia ou ela nos controlava", Darrick May) exportam a mais nova aitude musical: editar, mixar até o esgotamento de todo o som que apareça desde Beethoven até Hip-Hop.

Não é música de poetas ou de compositores como até hoje os conhecemos. É o som dos DJs saindo do anonimato de seus bunkers para o restrito reconhecimento dos clubs.

Continuará no próximo.

Minha fonte? Hermano Vianna em matéria da Ilustrada, na Folha de São Paulo de 6 de abril de 1997.

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