Blogs de moda popularizam "entendidos" do mundo fashion sábado, 29 de outubro de 2011Mariana Rio 
Arquivo Revista TPM
 | Considerada o reflexo do comportamento humano, a moda é responsável por ditar tendências, e no mundo virtual não é diferente. Há tempos que ela está presente em um dos mais atuais meios de comunicação, os blogs.
Érica Minchin é consultora e professora de moda e imagem, formada em Gestão de Negócios da Moda, na Unisanta. Paralelo a isso, já fez tantos cursos que até perdeu a conta, em instituições como Senai e Senac.
Com este embasamento, ela criou o blog Chá há alguns anos, como ferramenta de divulgação do seu trabalho. Érica acredita que, apesar do preconceito que muita gente têm em torno das blogueiras de moda devido a esse “boom”, este é um instrumento que representa a existência da pessoa no mundo virtual, especialmente nos negócios.
“Procuro abordar coisas interessantes que vejo por aí, esclarecer algumas dúvidas sobre como usar determinadas peças/tendências e outras dicas rápidas relacionadas ao universo da moda, mas que ainda não tenham sido excessivamente divulgadas em outros sites e blogs, ou que eu consiga abordar de alguma forma diferente, além é claro de divulgar alguns trabalhos”, explica a consultora.
Na verdade, o blog faz parte do site Érica Minchin. No entanto, ela não o atualiza com tanta freqüência, por falta de tempo. "Deixo a inspiração para escrever as duas colunas que assino que são no Vila Mulher e outra na Gazeta Regional, jornal impresso do interior de SP, além de outros trabalhos de geração de conteúdo que eventualmente aparecem".
Mas o problema é o conflito que existe entre os profissionais formados na área de moda com as blogueiras(os). Muitas vezes, pessoas se autointitulam jornalistas e até mesmo consultoras de moda, sem ao menos ter o menor conhecimento na área e por isso acabam escrevendo "achismos" e despertando a raiva de quem estudou para isso.
“Se a pessoa tem um blog como válvula de escape, mas ela não é uma profissional especializada em moda, precisa deixar claro que ela não está ensinando/impondo regras sem ter embasamento, mas sim falando sobre o que, na opinião dela como consumidora, ela anda vendo de interessante e o que ela pessoalmente gosta de adotar", opina Érica.
Para ela, apesar do universo fashion ser uma área muito ampla, a pessoa precisa entender, no mínimo, sobre história da moda, grandes nomes, nomes de peças-chave, cores, modelagens, tendências (e fundamentos dessas tendências), e pesquisar para escrever um texto, sabendo filtrar suas fontes.
“Se a pessoa quer ser "jornalista de moda", algumas instituições oferecem cursos sobre o tema. Seja para atuar como estilista, produtora, consultora ou alguma outra profissão que vá além da escrita. Existem várias opções. Hoje a oferta de cursos na área, livres ou de pós-graduação, é bem extensa em muitos casos a pessoa não precisa fazer a faculdade, cabe a ela definir com o que quer trabalhar”.
Érica acredita que a internet possibilita diversos aprendizados, mas não equivale, muito menos substitui, anos de estudo e de experiência real. "O maior problema é quando essas pessoas que não são ´entendidas´ ganham maior projeção e acabam, sem querer ou perceber, denegrindo uma profissão simplesmente por não ter o discernimento de que ninguém acorda profissional só porque gosta de um assunto", desabafa.
Além disso, em algumas profissões relativamente novas, como as relacionadas à moda, isso pode acabar criando uma imagem distorcida do que é aquele trabalho.
Formada em jornalismo, Amanda Serra é dona do blog Bem Mulherzinha, que fala sobre vários assuntos do universo feminino. Antes de postar qualquer coisa, ela procura, pesquisa e apura tudo com muito cuidado.
"Ser jornalista e ser blogueira é muito legal, porque na hora de escrever a gente une conhecimento. Eu procuro sempre pensar em ideias diferentes, se vejo que todo mundo está falando sobre a mesma coisa, procuro um lado diferente, porque se for para escrever igual, ninguém vai visitar meu blog".
Apesar de não ter conhecimentos na área de moda, ela sempre deixa claro quando escreve sobre gostos e sugestões pessoais, ou procura alguém entendido que possa falar sobre o assunto, mas jamais posta um conteúdo sem pesquisa e análise antes, e muito menos se auto intitula jornalista de moda. "Sou jornalista".
"Santos tem potencial. Tem muita gente boa que trabalha com moda aqui, que precisa se desenvolver mais; estudar; pesquisar e até realizar mais eventos para que esse ramo da moda seja expandido cada vez mais aqui na região, por exemplo", sugere Amanda.
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