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Modelos plus size: o fim da ditadura da magreza
sábado, 17 de abril de 2010

Letícia de Souza Fontes

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 Arquivo pessoal

As modelos plus size (tamanho grande) ganharam a atenção da mídia. Desfiles, marcas de roupas e campanhas publicitárias promovem a ‘beleza real’. A ditadura da magreza e a busca incessante pelo corpo perfeito atravessam décadas e provocam discussões culturais.

Seja em músicas, desenhos ou filmes, as formas femininas estão presentes no cotidiano. Quem não sem lembra do corpo esguio de Olívia Palito na década de 70, e a rechonchuda Mônica, criação de Maurício de Souza.

De acordo com o sociólogo Antony Tomaz Diniz, o corpo está em constante transformação. “Nós transformamos nossos corpos - tiramos o pelo, furamos a orelha, aumentamos os seios, emagrecemos, engordamos, aumentamos partes, moldamos outras partes, tatuamos. Esse modelo é informado pela cultura e pela constituição societária no qual estamos inseridos.”

Para Antony, um conjunto de informações influencia nas constantes mudanças dos padrões estéticos. “Assim, podemos compreender melhor a importância que os padrões estéticos sobre o corpo feminino assumem em nossa sociedade. É através de um conjunto de regras, premiações, sanções e discursos que o lugar da mulher na sociedade é passado adiante e reafirmado, tanto por homens como por mulheres.”

A renascença foi marcada pela “descoberta do mundo e do homem” e também por obras de Fernando Botero. O pintor colombiano se destacou por seus personagens robustos.

O artista plástico Denis Leite defende a idéia de que Botero não pintava pessoas gordas, mas para demonstrar os excessos que a humanidade cometia. “Fernando Botero pintava mulheres gordas perto de homens bem pequenos, para demonstrar a inferioridade daqueles homens. Eram homens e mulheres gordos para mostrar o exagero das pessoas.”

Mídia- Dedicado ao público G, os blogs se multiplicaram na rede com dicas de moda, comportamento e bem estar. Um deles é o Mulherão, criado por Renata Poskus Vaz, que conta inclusive com um dia de modelo plus size, quando as leitoras podem se tornar modelos por 24 horas.

Gordinha assumida, a professora de inglês Ana Paula Menezes é criadora do blog Mundo GG. Segundo ela, as revistas femininas vendem uma falsa felicidade em suas capas. “Buscar um corpo são eu acho válido para todo mundo. O problema é dizer que apenas o corpo de modelos de revista é aceitável. Vender em cima disso a idéia de felicidade, para mim, é um pouco demais”, disse Ana Paula.

O músico e publicitário Aloísio Vilar modera a maior comunidade da rede social Orkut para mulheres acima do peso – As gordinhas são as melhores (AGM). “A comunidade serve para fazer amizades e elevar a auto-estima das gordinhas. É um ambiente em que são valorizadas, e até se transformam em musas de alguns, ali nenhuma gordinha se sente discriminada”, afirmou Aloísio.

De acordo com o IBGE, em 2003, o excesso de peso afetava 41,1% dos homens e 40% das mulheres. A obesidade atinge 8,9% dos homens e 13,1% das mulheres adultas do país. Portanto, os obesos representavam 20% do total de homens e um terço das mulheres com excesso de peso.

Moda- Mulheres obesas ou com sobrepeso acreditam que a presença das modelos plus size na midia reduz o preconceito. Para a jornalista Gabriela Mangieri, a diferenciação não deveria existir. “Não vejo necessidade da criação de lojas especializadas. Vivemos num país de misturas de raças, a diversidade faz parte do nosso cotidiano. Sou a favor de lojas com roupas de diversos tamanhos, sem classificações.”

Aceitar o corpo além dos modismos é uma das dicas da produtora de moda Juliana Miney. “A gordinha tem que se aceitar e procurar roupas do seu tamanho, não tentar colocar algo bem menor por vergonha. Não é preciso ser magra para estar bonita. Hoje em dia, o mercado oferece opções para as mais cheinhas”, diz Juliana.

Para Antony Diniz, a mudança cultural dos estereótipos não acontecerá. “O que mudaria essa concepção de estereótipos (lembrando que esse é um conceito da psicologia, e não da antropologia, o termo mais aproximado na antropologia e sociologia talvez seja ”representações sociais”) é uma re-alocação estrutural da mulher, mediante uma organização política das mesmas. Isso implica em tomada de consciência, e uma mudança nos mecanismos de reprodução societária (como a plus size hoje significa algo, basta saber o quê”, completa o sociólogo.


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