Arrancar os cabelos pode ser sintoma de estresse terça-feira, 24 de novembro de 2009Lucas Shiomi  Nosso cérebro tem de assimilar uma quantidade muito grande de informação, em um período de tempo proporcionalmente curto. Isso gera o estresse, a ansiedade, e uma série de outros transtornos psicológicos, que quase sempre deságuam em sintomas físicos.
Esse é o caso da estudante Natally Lima, de 16 anos, que desenvolveu a doença conhecida como Tricotilomania, que é o impulso de arrancar os cabelos, cílios ou sobrancelhas em busca de uma sensação de alívio em momentos de tensão e ansiedade.
“Comecei com uns doze ou treze anos, quando vi uma prima minha fazendo. Depois que comecei, não parei mais”, confessa a estudante “E agora minha irmã também tem isso, aprendeu comigo”.
Natally nunca procurou ajuda médica, pois acredita que basta ter força de vontade para conseguir parar. Entretanto, já tentou diversas vezes sem sucesso. “Quando estou em atividades sedentárias, em que minhas mãos estão livres, é difícil evitar. Eu sinto prazer quando arranco, fico mais calma. Se eu não arranco, rôo as unhas”.
“As pessoas falam ‘Menina, você é doida? Pára de arrancar!’, mas não me ajudam, não entendem. Eu tinha uma amiga que dava tapas na minha mão quando me via arrancando, mas isso só piora”, desabafa. “A pior parte é o medo das pessoas verem, o que vão pensar de mim. Quando estava com falhas maiores, tinha medo de ir ao cabeleireiro. As pessoas se espantam quando vêem”.
Natally está há pouco mais de um mês sem arrancar os cabelos, em mais uma tentativa de parar. Ela busca apoio em um grupo virtual formado por pessoas que também desenvolveram a doença, e acredita que agora conseguirá parar de vez.
De acordo com a psicóloga Maria Fernanda Marcondes, ainda não existe uma causa conhecida para esse transtorno. “Sabe-se que nascemos com uma predisposição genética que, somada a fatores ambientais estressantes e também a fatores hereditários, podem gerar este tipo de comportamento”, explica.
Segundo ela, o tratamento indicado é o medicamentoso, principalmente nos casos mais graves, para controlar a ansiedade, aliado ao tratamento psicológico, voltado ao treino do autocontrole.
Nos casos mais graves da Tricotilomania, a pessoa não apenas arranca os cabelos, mas os ingere, o que pode gerar, além dos machucados no couro cabeludo, problemas gastrointestinais. Nesses casos, o distúrbio passa a se chamar Tricotilofagia.
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