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Mãe sem medo
sábado, 25 de março de 2006

Cristiane Amaral

 Reprodução

O brilho nos olhos e o sorriso aberto nos lábios de Simone não escondem o orgulho da barriga arredondada já de 8 meses, quando questionada sobre a criança que virá. O avanço tecnológico a deixa prever que é a Ana Luíza que está a caminho e a data para sua chegada é 7 de abril de 2006, às 7h30, para ser mais preciso. A escolha da data não é em vão, a avó que a menina não poderá mais conhecer nasceu no mesmo dia.

O medo das dores e de todos os outros mitos que envolvem a hora do parto fez com que a professora Simone Machado, 32 anos, escolhesse a cesariana quando dada a opção de escolha pelo médico. Essa opção se repete em 8 em cada 10 mulheres grávidas no Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde que também recomenda que, no Brasil, apenas 15% deveriam representar essa prática. Nos planos privados, a prática é três vezes maior que no Sistema Único de Saúde.

O médico obstetra Juvenal Andrade explica que se a gravidez tiver evolução normal, o parto natural é sempre o mais indicado por não haver contra-indicações para o bebê. É o processo fisiológico do organismo materno, a gestação apresenta mecanismos para expulsão fetal, não sendo necessário tirá-lo antes do tempo.

Esta prática pode causar infecções à criança, prematuridade e oferece maiores complicações no parto. A mortalidade materna é 2,8 vezes maior em relação ao parto normal onde não existe intervenção cirúrgica e a recuperação da mãe é mais rápida, podendo lidar com o bebê após o nascimento. Além disso, existem analgésicos que já aliviam as dores no parto normal.

A mulher tem o direito de escolher e o médico o dever de explicar e esclarecer ambos os procedimentos. Caso isso não ocorra, há outras maneiras de se manter informado sobre o que é o mais recomendado para cada caso.

A mobilização pela causa é tanta que as gestantes de parto normal vêm se unindo pela causa e a Internet é um exemplo disso. Tratam-se de sites especializados que incentivam e tiram as dúvidas de qualquer mãe de primeira viagem.

A rede Parto do Princípio, por exemplo, criou um estatuto, e pretende regularizar a rede como ONG. É possível encontrar cartilhas, material de divulgação, documentários, campanhas e congressos. Tudo para diminuir as estatísticas e zelar pela saúde dos futuros meninos e meninas. Uma das idealizadoras do movimento, Ingrid Lotfi, define, na página do movimento, que a intenção da rede é oferecer apoio de mãe para mulheres que estão ou planejam estar grávidas em todo o país. Como ela, a rede Amigas do Parto aparece com o mesmo princípio e apresenta relatos, tira dúvidas quanto aos mitos, medos e fatos que rodam o universo materno.

Ainda na internet, a rede de amigos Orkut conta com mais de 70 comunidades relacionadas que incentivam a prática do parto normal, o que ajuda, ainda mais, as mamães tomarem coragem e enfrentarem o parto natural.


Outras reportagens do caderno Saúde:

 Método anticoncepcional: amigo ou inimigo?


 

 

 

 

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