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Caderno
Cultura

edição de
31.08 a 14.09
de 2002


Antiquários vendem memórias do passado

Camila Latrova e Rosa Araújo

DivulgaçãoO tempo passa, e nem sempre as lembranças do passado ficam esquecidas. Ficam na memória das pessoas que viveram épocas distantes, ficam na história. Permanecem também em lojas decoradas com as mais diversas peças que, um dia, participaram da realidade de uma geração. Os Antiquários resgatam e preservam a memória dessas décadas passadas. Em Santos, são cerca de 15 lojas especializadas, fora os colecionadores, que têm em suas próprias casas verdadeiros museus.

A colecionadora Regina Martins possui uma vasta coleção de antiguidades que, segundo ela, já foi maior: “Infelizmente tive de desfazer-me de várias peças, pois mudei para um apartamento bem menor que minha antiga casa”. As filhas de Regina aprovaram a mudança. Elas acham que a casa deveria ter um ambiente mais moderno. Entre as raridades pertencentes a Regina está um pôster francês, que divulgava a Primeira Guerra Mundial.

Paulo Rogério de Carvalho, um dos proprietários do antiquário Casa do Povo, no Bairro da Encruzilhada, em Santos, conta que tem clientes colecionadores dos mais diversos tipos de antiguidades, como brinquedos, bonecas de porcelana, fotos e pratarias, entre outros. Na sua loja existem as mais variadas peças antigas, como por exemplo uma imagem de Santo Antônio do final do século XIII, feita em madeira, vidro e prata de lei, avaliada em R$ 5.000, que já está vendida.

Existem ainda antiguidades como remédios da década de 40 e 50, caixas de fósforos, postais, perfumes, móveis e vestuário.

Na Casa de Chá e Antiquário Harmonie, no Gonzaga, pode-se encontrar uma peça muito bonita, mas ao mesmo tempo bizarra: um anjo com cerca de 30cm, do século XVI. A peça não é assinada, mas possui uma grande importância, devido ao seu valor histórico, pois ela ficava à mostra na porta de uma igreja na Idade Média. Nas mãos do anjo há um prato, que servia para recolher as moedas dos fiéis, que pagavam literalmente os seus pecados, depositando o dinheiro. Dependendo da quantidade e do peso das moedas (quanto mais moedas, melhor), a cabeça do anjo balançava afirmativamente, perdoando os seus pecadores. O segredo do anjo está em uma mola colocada no seu pescoço, que de acordo com o peso da quantia colocada, movimenta a cabeça.

Uma das curiosidades destas lojas é a venda de camas antigas. Nancí Alonso, antiquária há nove anos, explica que as pessoas não gostam de camas usadas: “Antigamente, devido aos poucos recursos médicos, as pessoas adoeciam e faleciam muito mais em suas casas, nas camas”. Nancí acha irrelevante este tipo de receio, embora afirme que já precisou retirar um quadro antigo de casa. Sua filha pequena ficava amedrontada com a imagem de um homem com o olhar fixo em quem observava o quadro.

A preferência por objetos de épocas passadas origina–se de vários aspectos, como a durabilidade das peças, o estilo, a capacidade de relembrar o passado, quando possivelmente a vida era mais tranqüila, explica Cristiana Aguiar, uma apaixonada por antiguidades. “Quando era pequena, enquanto minha irmã gastava o dinheiro que ganhava nas coisas da moda, eu comprava relíquias”. Hoje, ela é dona do Antiquário Casa Aberta, també no bairro da Encruzilhada.

Serviço:
Casa do Povo - Rua Xavier Pinheiro,179 - tel (13) 32325938.
Harmonie - Rua Timbiras, 4 - tel (13) 32891313.
Casa Aberta - Rua Silva Jardim, 405 - tel (13) 32345626.



 

 


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