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Pitta é afastado da
prefeitura por corrupção

Alessandra Arnosti

O prefeito de São Paulo, Celso Pitta, foi afastado do cargo na Sexta-feira, por ato de improbidade administrativa. O juiz Olavo Pereira de Sá Oliveira, da 13º Vara da Fazenda, acatou o pedido de liminar do Ministério Público do Estado. É a primeira vez que isso acontece na cidade de São Paulo.

Pitta é acusado de enriquecimento ilícito, já que os promotores do Ministério Público entendem que o suposto empréstimo de R$800 mil, feito ao prefeito pelo empresário Jorge Yunes, seria na verdade um "presente", já que Pitta, que está com todos os seus bens bloqueados, não teria como devolver essa quantia.

A administração de Pitta é acusada de favorecer interesses de Yunes. Parentes do empresário foram contratados pela Anhembi (empresa de economia mista, cuja maior acionista é a prefeitura); o prefeito também enviou à Câmara, em caráter de urgência, um projeto de mudança de zoneamento que valorizaria um terreno pertencente a Yunes, na zona norte de São Paulo.

O filho do prefeito, Victor Pitta, já havia denunciado o pai ao Ministério Público, afirmando que o empréstimo seria uma fachada para cobrir os gastos pessoais.

Os promotores do Ministério Público afirmam que o afastamento imediato é necessário porque, no cargo, Pitta poderia atrapalhar as investigações sobre irregularidades na Prefeitura. Serve também para evitar novos danos ao patrimônio público.

Além da perda do cargo de prefeito, os promotores ainda pedem que ele devolva os R$ 800 mil, pague multa civil de até três vezes o valor de seu acréscimo patrimonial e seja proibido de fazer contratos e concorrências.

O vice-prefeito Regis de Oliveira disse em nota oficial que está "absolutamente preparado para assumir o cargo, tão logo receba a convocação oficial dos órgãos competentes".

Os advogados de Pitta têm dez dias para recorrerem da decisão do juiz e, mesmo afastado, ele continuará recebendo seu salário de R$ 6 mil.

 

Jorge Yunes

O empresário Jorge Yunes, figura crucial no caso Pitta, é dono de uma das maiores editoras de livros didáticos do país, além de uma coleção valiosa de obras de arte, uma transportadora e uma empresa de mineração. Ele é o presidente de honra do PPB em São Paulo e amigo de Paulo Maluf há vários anos. Ajudou economicamente Pitta durante a candidatura e sua relação com o prefeito continuou após a eleição. Nega ter sido beneficiado por Celso Pitta.

 

 

 

 

 

 

 

25.03 a 31.03
de 2000

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